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Plástico: a conveniência que anestesia a consciência

Kim Stengert | WWF-Singapura

Tradução por Marília Santos | WWF-Brasil


Uma sacola de supermercado serve seu propósito em apenas 30 minutos, duração de um pequeno trajeto até seu destino final. No copo, o canudo é utilizado por 5 minutos. O uso de colheres de plástico é ainda mais curto: 10 segundos.


Esses itens possuem breve vida útil, porém permanecem no Planeta por muito mais tempo do que nós – 400 anos para ser mais exata. Deixados na natureza, os plásticos afetam a saúde dos oceanos e a biodiversidade. E o problema não acaba aí.


Antes mesmo de entrar em nossas casas, os plásticos já contribuem para as mudanças climáticas. Globalmente, a produção de plásticos consome a mesma quantidade de combustível fóssil de toda a indústria da aviação.


O mundo produz 335 milhões de toneladas de plástico todos os anos, das quais 91% não são recicladas. Isso não é apenas uma questão ambiental, mas um problema que afeta nossa saúde e bem-estar.


Nós estamos vivendo de plástico em todos os sentidos: comendo, bebendo e, até, respirando. Microplásticos foram encontrados no intestino de um em cada quatro peixes, em amostras de água da torneira de 14 países e até mesmo na poluição do ar.


Ainda assim, banir plásticos não é a solução. Singapura é um exemplo disso. Houve um grande protesto da população quando os quatro maiores supermercados locais divulgaram a ideia de cobrar por sacolas plásticas. O público defendia que os plásticos ajudam a garantir a eliminação de resíduos higiênicos, além de auxiliar na ampliação da vida útil de alimentos frescos e reduzir o seu desperdício, outra questão global que está em nosso radar.


Não há dúvidas de que é preciso solucionar esse problema, mas é possível nos livrarmos de um material tão comum, acessível e útil?





Apresentando o “plástico inútil”

Há uma grande categoria de itens de plástico que proporcionam poucos minutos de conveniência, pouca utilidade e são descartados em grandes quantidades. Sejamos claros: plásticos inúteis.


A maioria dos canudos, tampas, copos e colheres de plástico se enquadram nesta categoria. Recusar esses plásticos inúteis é um passo fácil para reduzir o uso de plástico. Ao mesmo tempo, alguns plásticos podem ser úteis, mas esses também podem ser reduzidos.

Hoje, alternativas na forma de reutilizáveis estão amplamente acessíveis no mercado. Um estudo recente feito por uma agência governamental em Singapura descobriu que uma sacola reutilizável substitui o uso de 125 sacolas plásticas de uso único em um ano.

Outra solução é um imposto sobre o uso do material. O consumo de plásticos de uso único caiu 95% quando a Irlanda introduziu uma taxa em 2002. Uma marca de varejo japonesa, Miniso, testemunhou a queda de 75% na taxa de utilização de sacolas plásticas após implementar uma tarifa de $ 0,10 por sacola.



Nem todos os plásticos são lixo

Nós temos um tempo limitado para contornar a situação. Com a iminente crise global dos plásticos, a forma tradicional de conduzir os negócios não se aplica mais.


Ainda que os indivíduos se concentrem em usar menos plástico, é necessária uma mudança sistêmica mais ampla para tornar o material mais útil. Globalmente, 95% dos plásticos – avaliados em até US$ 120 bilhões – são descartados após o primeiro uso. A reciclagem eficaz garante que não percamos valor econômico deste material útil.


As empresas precisam ser responsabilizadas pelos plásticos que introduzem no mercado. Não é possível eliminar esse tipo de embalagens, mas elas podem ser reduzidas na fase de concepção e recuperadas após uso.


Ter os canais corretos e infraestrutura preparados possibilitará a reciclagem por empresas e indivíduos. Os incentivos encorajam os fabricantes a assumir mais responsabilidade, enquanto os desincentivos, como um imposto sobre plástico, ajudam a promover uma mudança de comportamento muito necessária.


Claro que todos possuem um papel a desempenhar: indivíduos devem usar menos plástico, e, também, apoiar medidas comerciais e governamentais que abordam a questão.


Precisamos parar de empurrar a responsabilidade entre indivíduos, empresas e governo. Todos precisam intensificar seus esforços e agir para solucionar um problema que compartilharemos com as próximas 16 gerações.


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Este artigo foi adaptado de uma peça do WWF- Singapura, assinada conjuntamente por outras ONGs locais e grupos de interesse.

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