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O problema do plástico nos oceanos tende a aumentar até 2025

por Rosângela Rodrigues | voluntária do WWF-Brasil


O plástico está presente na rotina diária de praticamente todos nós, vários dos produtos que utilizamos vem em embalagens plásticas, como produtos de beleza, higiene pessoal, limpeza e diversos alimentos, além disso, há ainda os baldes, vasilhas e a sacola do supermercado, todos feitos de plástico. Mas após o uso desses objetos, você sabe para onde eles vão? Onde eles são descartados?

A Descoberta

O capitão Charles Moore fez uma descoberta não muito agradável enquanto viajava pelo pacífico, entre o Havaí e a Califórnia. Uma viagem que poderia ser rotineira se não fosse pelo fato de que quando o capitão decidiu mudar a rota e fazer um caminho ele se deparou com o “Lixão do Pacífico” como ele mesmo batizou o local. Ele conta em uma reportagem para o G1 que durante dias não se viu uma única área que não tivesse lixo, mesmo estando tão distante do continente.


A Ilha de Plástico do Pacífico

Nessa mesma reportagem o capitão relata que a primeira coisa que ele conseguiu perceber de diferente foi que grandes pedaços de plásticos no oceano estavam sendo utilizados por mariscos como casa. Após um olhar mais minucioso, observou também que águas-vivas estavam emaranhadas em nylon e engolindo pedaços de plástico.


De acordo com ele, mesmo nas áreas que pareciam limpas, tinham dejetos microscópicos que estavam sendo ingeridos pelos animais marinhos. Isso acontece pois como não convivem com plásticos, os animais não sabem (ainda) distinguir o que é plástico e o que é comida, por exemplo.


A estimativa é que a “Ilha de Plástico” possua 1,6 milhões de quilômetros quadrados. A Revista Scientific Reports publicou um artigo onde os cientistas apontam que há cerca de 80 mil toneladas de plástico flutuando no Pacífico, um número bem mais elevado do que se imaginava.

Esse cenário já é bastante ruim e pode ficar ainda pior, pois um relatório publicado pelo departamento de ciência do governo do Reino Unido mostrou que, até 2025, os oceanos do planeta vão estar três vezes mais poluídos com plástico. Os oceanos estão virando uma verdadeira sopa de plástico!


Shutterstock / Rich Carey

Origem do Lixo

Parte do plástico encontrado na ilha é oriundo do descarte feito por navios e plataformas de petróleo, porém a grande maioria do lixo descartado de maneira incorreta vem da terra e acaba chegando ao mar.


O oceanógrafo Laurent Lebreton, líder da Fundação de Limpeza do Oceano e principal autor da pesquisa que foi divulgada pela Scientific Reports, informou que provavelmente o plástico vem de países do Pacífico, mas pode ter origem em qualquer lugar, já que navega por todos os oceanos - já foi até encontrado em águas do Ártico. O estudo também aponta que alguns restos podem ser provenientes do tsunami de 2011, que assolou o Japão.


Na matéria do G1, eles também afirmam que o lixo pode encontrar o caminho do Pacífico após uma tempestade, já que o plástico deixado nas ruas é levado pela chuva para rios ou para as galerias fluviais das cidades e segue para o mar.


Isso ocorreria pois a região onde está localizada a Ilha de Plástico é caracterizada por ser uma área de águas mais calmas, ou seja, de correntes marinhas de baixa intensidade. O que significa que uma vez que as partículas chegam ali, elas param de navegar, vão se acumulando e formando a pseudo-ilha. O problema é que a própria formação da “ilha” diminui ainda mais a circulação das águas, fazendo com que o processo de deposição se intensifique.


Podendo vir de diversos países do mundo, pode ser impossível determinar a fonte exata de toda essa imensidão de plástico. Mas uma coisa é certa, nada daquilo deveria estar ali!

Ameaça para as espécies

Essa quantidade enorme de plástico nos oceanos atrapalha a vida marinha e ameaça as espécies. Ao ano milhões de animais marinhos morrem por causa de inteiração com plásticos!


Em um documentário produzido por Chris Jordan, fotógrafo e cineasta americano, foram mostradas imagens de pássaros cercados por lixo e diversos albatrozes mortos, já em decomposição, e com seus estômagos repletos de resíduos plásticos.


Um exemplo que retrata a ameaça que o lixo nos oceanos causa às espécies é o caso da tartaruga Peanut, resgatada após viver anos presa em um anel de plástico, o que provocou uma deformidade em seu casco, que havia sido moldado de acordo com o anel, conforme a tartaruga foi crescendo.


Isso não pode continuar, juntem-se a nós na busca por soluções!!! Participe da Marcha pelos Oceanos, fale disso com os amigos, mude alguns hábitos. Juntos podemos lutar por um #OceanoSemPlástico.


Fontes: G1; Gazeta do povo; Jornal da Gazeta


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