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Lixo nosso de cada dia: o que você tem a ver com o plástico nos oceanos

Atualizado: 6 de Jun de 2018

por Júlia Bitencourt | Voluntária WWF-Brasil

A questão do plástico nos mares está em voga na televisão, na internet, nas mídias impressas e até mesmo nas rodinhas de conversa de amigos. A discussão é válida em todos os meios e ainda mais necessária após a divulgação de um relatório do departamento de ciência do governo do Reino Unido mostrando que até 2025, os oceanos do planeta estarão três vezes mais poluídos com plástico. O alarmante dado liga um alerta para todos os consumidores: é preciso reduzir drasticamente o uso deste material.


Aí, você que se considera um consumidor consciente, separando seu lixo, encaminhando os rejeitos para a coleta seletiva e não jogando lixo no chão, pode pensar: mas eu estou fazendo a minha parte! Sim, você está, mas isso apenas não basta. Para que o plástico não chegue nos rios e nos mares, e que não seja responsável pela extinção de animais que usam rios e mares como a principal fonte de alimento, é preciso, antes de tudo, evitar o uso de plásticos em todos os momentos do dia a dia.


Faça um exercício mental, que servirá também como uma tomada de consciência. Analise seus hábitos durante 24 horas. Quantos plásticos descartáveis você utiliza neste período? Será que você precisa mesmo de todos eles?


O uso de plásticos descartáveis (este também um conceito questionável, já que o material não se decompõe, apenas se transforma em microplástico) está inserido na cultura desde o início de sua produção em larga escala, no início dos anos 1950.


Desde então, foram produzidos 8,3 bilhões de toneladas de plástico até o ano de 2015, sendo que apenas 9% deste total foram reciclados. No cotidiano o plástico está presente em praticamente tudo o que vemos, e até no que não vemos.


Pesquisadores da Malásia, em estudo divulgado pela revista Nature em abril de 2017, relataram que encontraram microplásticos em 16 das 17 marcas de sal testadas para o estudo. Embora em quantidades pequenas, ainda não nocivas à saúde humana, as microesferas plásticas estão sendo inseridas no nosso organismo de maneiras imperceptíveis.


Fonte: Caroline Power - Mar do caribe

E agora, o que fazer para evitar o plástico nos oceanos?


Não se engane achando que somente quem vive próximo ao mar deve se preocupar com a questão do plástico nos oceanos. Até mesmo as populações que vivem longe dos litorais são responsáveis pelos materiais que são depositados na natureza.


Tudo o que é descartado de forma irregular pode ser facilmente carregado pela chuva, chegar até os rios e de lá seguir viagem até o mar. Esta cena seria poética se a situação não fosse tão alarmante. É preciso entender que o lixo nosso de cada dia, ainda que seja entregue para a coleta seletiva, impacta o meio ambiente e pode ir parar no oceano. Diminuir a quantidade de plásticos no dia a dia é possível e agora você começa a entender como fazer isso.


1. Consuma de forma consciente Conhecer seus hábitos é o primeiro passo para evitar que, em pouco tempo, os oceanos se transformem em uma imensa – e densa – sopa de plástico. Evite ao máximo usar descartáveis de uso único, como canudos, garrafas pet, copos e talheres plásticos. A produção desses objetos consome recursos não renováveis e o tempo médio de utilização é de menos de 40 segundos. Ou seja, não faz sentido continuar repetindo esse comportamento se queremos reduzir a quantidade de plástico nos oceanos. 2. Faça das embalagens retornáveis suas melhores amigas

Para beber água invista em uma garrafa de alumínio. Para as compras da padaria, hortifruti e a granel, monte um kit de sacos de pano (eles são laváveis e levinhos). Para evitar os talheres dos restaurantes que vêm envoltos em plástico, leve seu garfo e faca (e também o guardanapo de tecido). O blog Um Ano Sem Lixo tem diversas dicas sobre como evitar os plásticos nas rotinas de higiene pessoal, limpeza da casa e nas tarefas simples do dia a dia. 3. Não tenha vergonha de ser um ativista ambiental Cuidar da natureza é um assunto muito sério! Sempre que alguém falar “mas é só uma garrafinha”, explique que só uma garrafinha por pessoa cria um acúmulo plástico que talvez nunca deixará de existir. Use seus conhecimentos e argumentos sobre como evitar os plásticos de uso único para conquistar mais ativistas para esta causa.


4. Na praia recolha sempre o seu lixo e o dos outros Mantenha uma postura sempre alerta aos materiais que estão ao seu redor. Parte dos plásticos que poluem os mares têm origem nas praias, no consumo desenfreado de descartáveis. Sempre que for curtir seu banho de Sol leve uma ecobag para recolher os materiais que encontrar pelo caminho. Lembre-se que qualquer plástico que deixa de ir para o mar significa uma vitória para a vida marinha.

5. Ensine pelo exemplo Mostrar na prática para familiares, amigos e colegas que é possível viver consumindo menos plástico é a melhor maneira de fazer com que outras pessoas também se tornem defensores do meio ambiente. Afinal, todos vivemos na mesma casa, não é mesmo?


Você está pronto para ser a mudança que quer ver no mundo?


Referências: Correio Brasiliense | Nexo Jornal | Revista Galileu

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