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Como as empresas podem ajudar a proteger nossos oceanos

Por Taís Meireles | WWF-Brasil


O plástico nos oceanos é um problema de todos: indústria, governo, comércio e sociedade civil. Apenas se todos nos envolvermos nesta causa, poderemos diminuir a produção e o uso de plástico que tem vida curta, e que a partir de seu descarte inadequado acabam caindo nos nossos oceanos, poluindo as águas e afetando as espécies, inclusive a nossa.

Nos últimos 50 anos, passamos de soluções reutilizáveis para itens descartáveis de uso único. Mas o sistema de reciclagem não acompanhou o ritmo. Hoje, apenas 2% do plástico no mercado é transformado em nova embalagem e cerca de metade do plástico já produzido na história foi todo produzido nos últimos 15 anos. Mais de 8 bilhões de toneladas chegam nos oceanos ao ano, isso significa um caminhão por minuto descarregando plástico.

O problema é sério e precisa de ações urgentes! As empresas podem se engajar nessa causa com quatro atitudes simples, que ajudam a acelerar a mudança para uma economia circular dos plásticos, tornando-os um material valioso na economia e deixando-os fora do oceano.



1. Questionar o uso do plástico

Primeiro, garantir que a coleta seletiva e a reciclagem são pontos cruciais, mas são apenas uma parte da história. Temos a responsabilidade coletiva de questionar a produção de itens cujos os custo-benefícios de reciclagem não tão baixos que não são nem considerados a entrar neste ciclo, a produção de itens cuja tecnologia de reciclagem não existe, e ainda a produção de plásticos que simplesmente são “descartáveis”, mas neste caso no sentido de irrelevantes.


Estamos viciados e acomodados! Inovação pode ser a solução econômica e ambiental para muitas questões da nossa sociedade. No caso dos plásticos, por exemplo, ainda deveríamos usar sacolas descartáveis, uma vez que elas são queimadas ou enviadas para aterros depois de apenas alguns minutos de uso? Investir em formas inovadoras de entregar produtos a pessoas sem gerar resíduos plásticos pode ajudar a resolver esse desafio e proporcionar uma oportunidade global de US$ 10 bilhões.



2. Aumentar a vida do plástico ao máximo

As empresas que colocam embalagens plásticas no mercado precisam pensar em toda a cadeia do material, tendo em mente o que acontece após o uso. Economia circular deve fazer parte de suas realidades e planejamentos, além disso é preciso ter metas ambiciosas e realistas para garantir a mudança na sociedade. Algumas grandes empresas já estão assumindo grandes compromissos, como é o caso de marcas como Unilever e Nestlé, que recentemente fizeram promessas de usar embalagens de plástico 100% reutilizáveis, recicláveis ​​ou compostáveis em seus produtos.



3. Levar o problema a sério

As empresas precisam também definir colaborativamente um “Protocolo Global de Plásticos” para fornecer orientações e definições comuns. O sistema atual é muito brando e ambíguo. Termos como “bioplástico” ou “reciclável” podem criar confusão e, na pior das hipóteses, constituir um porto seguro para marcas que só querem entrar no bonde do marketing ambiental.


Esse protocolo também pode ajudar a indústria a alinhar suas escolhas, garantindo que apenas materiais que possam de fato se reciclados, reutilizados ou biodegradados com segurança façam parte de uma lista final.



4. Levantar soluções junto aos governos

Um diálogo construtivo entre a indústria e os formuladores de políticas é outro pré-requisito para o progresso. Os governos são atores essenciais no fornecimento da infraestrutura e na criação do cenário regulador que possibilita o desenvolvimento de uma economia circular.

Muitas vezes no passado, a indústria e o governo perseguiram agendas diferentes e, às vezes, conflitantes. Os líderes empresariais precisam se engajar positivamente com os governos nas políticas necessárias para mudar o sistema. Por exemplo, na implementação de esquemas efetivos de responsabilidade ampliada do produtor.


Pensando nesses quatro fatores, algumas empresas pelo mundo já começaram a fazer a sua parte. Conheça alguns exemplos abaixo:


Plástico nas revistas

A National Geographic Society surgiu em 1888 para divulgar informações importantes sobre geografia para o mundo. Hoje, é um polo de comunicação, com revista e canal próprio de TV, sobre ciência, exploração e aventura, que também apoia cientistas, exploradores e conservacionistas com 30% de seus lucros.


Combinando com sua missão, a Nat Geo foi além da divulgação de informações neste mês. Junto com o lançamento de uma capa especial sobre plástico, a revista aboliu de sua entrega para assinantes e revendedores o plástico que antes embalava seu produto.

A ação faz parte de uma campanha anual chamada "Planeta ou Plástico?", que incentiva os consumidores a reduzirem o plástico de uso único, como sacolas, canudos, copos, pratos e talheres descartáveis.


“Como pode ser verdade que metade do plástico já produzido na história foi todo produzido nos últimos 15 anos? Que um trilhão de sacolas plásticas são usadas em todo o mundo a cada ano, com uma “vida útil” média de apenas 15 minutos? Que cerca de nove milhões de toneladas de lixo plástico vão para os oceanos todos os anos? E as estimativas de quanto tempo o plástico dura, de 450 anos a eternamente?”, clama a publicação.


Compras de mercado sem plástico

O primeiro corredor sem plástico. Essa foi a criação do supermercado holandês Ekoplaza, lançada em fevereiro deste ano. Lá, os consumidores encontram mantimentos, lanches e outros artigos - mas nem um grama de plástico. Os itens são embalados em materiais compostáveis, vidro, metal ou papelão.


Sian Sutherland, co-fundador de um grupo de defesa dos oceanos chamado “A Plastic Planet”, que impulsionou o conceito, disse que a iniciativa foi "um momento marcante para a luta global contra a poluição por plásticos".


O corredor sem plástico contém cerca de 700 itens, incluindo carnes, molhos, cereais, iogurte e chocolate. "Não é apenas um truque de marketing, é algo em que trabalhamos por anos", disse Erik Plato, executivo-chefe da Ekoplaza.


O famoso chá inglês sem plástico

Famosos por tomar chá diariamente, os britânicos ganharam uma opção mais sustentável do produto. A marca inglesa PG Tips, uma das maiores do país, anunciou em fevereiro que seus saquinhos de chá, antes embalados com plástico, passariam a ser oferecidos em embalagens biodegradáveis, livres de materiais sintéticos.


Ao contrário dos saquinhos de chá convencionais, as novas embalagens estão livres de polipropileno, um selante usado em toda a indústria para garantir que os sacos mantenham sua forma, mas que pode ter efeitos desastrosos para o meio ambiente.


O novo saquinho, feito à base de plantas, começou a ser implantado em fevereiro, na principal linha de produtos da empresa e, até o fim do ano, nenhum chá da PG Tips terá plástico em suas embalagens. A marca faz parte do grupo Unilever, que já implantou a mesma medida no Canadá, na Polônia e na Indonésia.


E você? Conhece alguma outra empresa que vem buscando diminuir o impacto do plástico nos oceanos? Conta pra gente nos comentários!


Fontes: World Economic Forum | The Guardian | National Geographic | Reuters | NY Times


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