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Agropecuária e seu impacto nos oceanos

Por Estela Castelli Florino Pilz


Pode até parecer que são dois temas totalmente desconectados, mas, acredite, a indústria da carne, em terra firme, tem um impacto – e tanto – no fundo no mar.



Eduardo Aigner / WWF-Brasil

Antes de explicar melhor essa relação, algumas informações sobre o setor da agropecuária que você deve saber:

  • 18% dos Gases de Efeito Estufa − aqueles que causam o aquecimento global − vêm do setor pecuário, superando a quantidade de todo o setor mundial de transportes.

  • No Brasil, 79% da quantidade de proteína produzida é transformada em ração, enquanto apenas 16% é destinada à alimentação humana.

  • A produção de 1 kg de carne bovina exige 15 mil litros de água. Enquanto isso, a escassez de água afeta pelo menos 2,7 bilhões de pessoas no mundo.

  • Os EUA poderiam alimentar 800 milhões de pessoas com os grãos que o gado consome no país.

  • Uma exploração agrícola com 2,5 mil vacas leiteiras produz a mesma quantidade de resíduos que uma cidade de 411 mil pessoas. Para onde vão esses resíduos? Isso mesmo! Para os mares!


Relação terra e mar


Essa terrível relação aparece no documentário Cowspiracy, dos jornalistas Kip Andersen e Keegan Kuhn. Além de alertar sobre os riscos de consumir produtos derivados da pecuária ou da pesca, o documentário traz questionamentos sobre as informações que recebemos todos os dias.


Como grandes instituições que deveriam proteger a vida são sustentadas financeiramente por tais indústrias e, por isso, entregam informações incoerentes ao público.



Cowspiracy, traduzido por Nó de Oito

>> Zonas mortas marítimas


Zonas mortas marítimas são áreas onde a falta de oxigênio inviabiliza a possibilidade de vida. A produção de carne, leite e ovos, entre outros, está diretamente ligada a três fatores que causam essas zonas:


>> Excesso de nitrogênio e fósforo como fertilizante agrícola


“O aumento do uso de combustível fóssil (que libera nitrogênio na atmosfera), os resíduos deixados pela criação maciça de animais para abate e pela agricultura intensiva e a construção de sistemas de esgoto que lançam seus detritos em corpos de água, tudo isso leva ao aumento do volume de emissões de nutrientes nas bacias hidrográficas”, aponta reportagem da Scientific American Brasil.


>> Perda de biodiversidade


Sabe-se que 40% dos peixes capturados são descartados, a chamada pesca colateral. Além disso, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) informa que “aproximadamente 52% dos recursos pesqueiros marinhos do mundo, estão ‘totalmente explorados’, ou atingiram o máximo admissível, enquanto outros 28% dos estoques são ‘sobrepescados’, esgotados ou em via de recuperação”.


>> Aquecimento global


Já vimos que o pastoreio emite mais Gases de Efeito Estufa que os meios de transporte, sendo o maior causador do aquecimento global no mundo.


Bioacumulação de toxinas no peixe de cada dia


A agricultura hoje em dia é carregada de agrotóxicos. Com a população mundial crescente, a produção alimentar também precisa ser otimizada, mas as toxinas desses “otimizadores” são destruidoras e acabam poluindo nossas águas.


Mencionamos que a maioria dos grãos produzidos vão para a alimentação de gados, o que gera um ciclo de poluição: poluímos para produzir ração para alimentar aquele que também polui.


Levados até as águas, seja de lençóis freáticos ou oceanos, os agrotóxicos são absorvidos por plânctons, iniciando um fenômeno conhecido como bioacumulação ou biomagnificação, ou seja, quando essas substâncias tóxicas passam por toda a cadeia alimentar. Nós, ao consumir peixes e frutos do mar, também ingerimos essas substâncias, o que pode ser nocivo ao longo prazo.



FENAI

Radicalismo ou realismo?


Muita gente pode dizer que nunca vai deixar de comer carne ou que a cadeia alimentar funciona assim mesmo. O propósito deste texto não é forçar mudanças, mas trazer informações.


O consumo consciente vai do copo plástico ao filet mignon. O importante é conhecer o impacto das suas ações e mudar o que você, individualmente, achar que tem que mudar.

Se não conseguir eliminar o plástico totalmente da sua vida, comece pelo mais supérfluo deles: o canudo. Se não quer viver sem carne, corte este alimento alguns dias na semana, intercalando sua dieta. Caminhe no seu próprio passo rumo a melhores escolhas. Sua saúde agradece e o planeta também!


Fontes: CowspiracyeCycle GreenPeaceEl PaísEscolha VegWater FootprintCornellScientific American BrasilFAO

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